Pular para o conteúdo principal

Postagens

A face, Victor Wallace

Foi uma visão diferente Toda aquela beleza de um olhar Já não estava no corpo, ou no cérebro  Que é o verdadeiro corpo Faltava ar Ou outra coisa essencial Que poderia estar comprometida por um motivo ainda insabido Só não se compreendia essa falta A razão é gloriosa Mas depende de pequenas grandes coisas De repente o corpo debruçou ao sofá E que dor sacudiu O óculos no estofado, face pressionada Medo de machucar, não sei se antes, durante ou depois Aos poucos voltou se o senso Se é que um dia ali ele habitou Tremores, algumas poucas  vezes Quase epiléptica  E de repente ao mundo se volta O mundo chato e rotineiro Da realidade que havia fugido Inconscientemente, mas fugido Por segundos Fez-se uma súbita levantada A qual o cérebro sem ar resolveu o economizar Com racionamento de ar Uma vida, ali, poderia ter tido fim.
Postagens recentes

A peste, Albert Camus - Resenha

Nota 7.5/10 A peste de Albert Camus, mencionada como profética pelo escritor Ailton Krenak em seu ensaio sobre a pandemia “O futuro não está à venda”, 2020, é uma obra necessária para a construção do senso crítico na sociedade contemporânea, a qual, equivocadamente permite atividades como a economia tornem-se discutíveis a maior importância comparada à vida da espécie humana.    “O mal que existe no mundo provém quase sempre da ignorância e a boa vontade, se não for esclarecedora, pode causar tantos danos quanto a maldade...sendo o vício mais desesperado o da ignorância que julga saber tudo e se autoriza, então, a matar”. Durante a leitura, pensei diversas vezes sobre o conceito e a prática da justiça. Qual seria o ideal? Privar muitos para que a felicidade seja de todos, ou permitir a felicidade individual com liberdade para que cada um faça o que achar necessário? Isso, obviamente, fora do contexto constitucional contemporaneamente instituído e aplicado, assim como aos conceitos rela

O novo velho clássico infinito | Poema

O novo velho clássico infinito O óbvio é tão absurdo que dói. Dói em ser visto, escutado, tocado. É igual e inconscientemente imaginam. Faltam forças para denunciar. Desconforta o espinho rasgando a pele, Mesmo que rapidamente, Agonia. Mas não torna cotidiano. É inacreditável. Tamanha falta de... “ Não sei definir, mas quando ver, sei identificar”. O padrão do clássico hierárquico domina, A ordem reprodutivamente passada. Segue o compasso da melodia do sei lá quem criou. O resto é só a ilusão de viver o novo velho clássico, Repetidas vezes, Infinitamente. No vai e vem. - Victor Wallace. Este poema e imagem são autorais, cópias ou publicações sem referência são consideradas ilegais. Publicação: 02/07/2020               

Frankenstein ou o Prometeu moderno, Mary Shelley | Resenha

Nota: 10/10 F rankenstein  é resultado de um conjunto composto pela intelectual e sentimentalmente defasada educação paterna oferecida à Mary Shelley, devaneios noturnos, conversas sobre a criação da vida e uma crítica impositora à Percy Shelley, marido da autora. Diante desses fatores, surge, durante um verão recluso pelas péssimas condições climáticas na Suíça, a obra que revolucionou a literatura mundial e que coleciona admiradores 200 anos após sua primeira publicação. O exemplar da coleção de Clássicos da Penguin Companhia, 417 páginas, inicia-se com um texto que apresenta um estudo detalhado feito pelo inglês Maurice Hindle, Ph.D. em literatura pela University of Essex, com uma biografia sobre a autora, apresentando as perspectivas que fizeram Mary escrever a obra, a influência e as interferências do marido da autora e as partes que sofreram alterações durante as republicações. Nesse estudo, o leitor também é apresentado aos pensamentos de filósofos, de cientis

Criado mudo, Victor Wallace | Poema.

Criado-mudo  Era pra ser apagado. Era de cor forte, Não dava. Aparecia na tela branca. Com o rosto de lado, Nunca pra frente. Nunca autônomo, Sempre submisso. Ele estava ali, Ocupando o lug ar . Lugar de objeto, De criado-mudo. Foi retratado. Tentaram denegrir. Falharam, Já era negro. Hoje ele fala, Fala em qualquer língua. Fall your prejudice. Retrata. Morre, Porque era pra ser apagado, Mas a cor é forte, Não dá, Destaca na vida branca. Ofusca, o talento Do criado criador, Que agora destaca Na tela branca que é a vida Abala. - Victor Wallace. Este poema e imagem são autorais, cópias ou publicações sem referência são consideradas ilegais. Publicação: 10/06/2020               

Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto | Resenha

Nota: 9/10 Como já é possível ler pelo título, Quaresma não tem um fim feliz, e, certamente, essa obra não narra a felicidade de um brasileiro. É perante o recorte espaço-temporal da cidade do Rio de Janeiro do fim do século XIX, durante a República da Espada (1889-1894), ao abrigo do crescimento do capitalismo e da perpetuação da oligarquia rural, que o texto narra os infortúnios da vida de Major Quaresma, um metódico funcionário público, intelectual e patriota exacerbado. Importante no movimento pré-modernista – sendo considerado “pré ” por ainda não ter os ideais bem definidos e agressivos como os após 1922, com o movimento em si -, o qual utilizou, nas artes em geral, o regionalismo e o nacionalismo, o livro apresenta os pensamentos e as ideologias que se instauravam nos pensamentos sociais da mudança de séculos (XIX-XX) no Brasil. “ Triste fim de Policarpo Quaresma ” destaca marcas, as quais, atualmente, encontram-se difusas e, muitas vezes, representantes da al

Parecer-me-ei, Victor Wallace | Poema

 Parecer-me-ei Passa, Desaparece, Modifica, Some, O tempo. Passa, Desaparece, Modifica, Some, A matéria. Não passa, Não desaparece, Não modifica, Não some, O conceito. Ela era fechada. Não a identificavam. Será que desabrocharia? Todos se questionavam. O que te prendes? Perguntavam. Tens alergia, Medo, Pavor, De inseto? Mas ela se privava do contato, Não respondia. Privava-se da humilhação, Do sim e da negação. Ensinava-a como viver um, Ensinava-a como agir o outro, E o outro, E um outro. O poder que lhes conferiram era usado, Lhes, a sociedade. Gozavam de superioridade, Usurpavam-na. Feriam-na. Ela gastava só o necessário. Reduzia para não oxidar. Abriu mão do parecer, Para ser. - Victor Wallace Este poema e imagem são autorais, cópias ou publicações sem referência são consideradas ilegais. Publicação: 20/05/2020