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Parecer-me-ei, Victor Wallace | Poema

 Parecer-me-ei
Passa,
Desaparece, Modifica, Some, O tempo.

Passa, Desaparece, Modifica, Some, A matéria.

Não passa, Não desaparece, Não modifica, Não some, O conceito.

Ela era fechada. Não a identificavam. Será que desabrocharia? Todos se questionavam.

O que te prendes? Perguntavam. Tens alergia, Medo, Pavor, De inseto?

Mas ela se privava do contato, Não respondia. Privava-se da humilhação,
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O livro de almas, Igor Quadros | Resenha.

Nota 5/10 Antes de compartilhar minha opinião sobre o livro gostaria de lembrar que cada leitor tem uma experiência ao ler determinada obra e que, o que é muito bom para um pode ser ruim para outro. Mas afinal, o que seria da literatura se não fossem os leitores com opiniões diferentes sobre um mesmo texto?

Ao ver a capa, o título e a sinopse do livro me encantei. Procurei saber sobre o autor nortenho, Igor Quadros, e recebi um exemplar do livro, que foi publicado pela editora Novo Século com o selo de Novos Talentos da Literatura Brasileira, para resenhar em meu antigo blog que foi desativado há alguns anos. Criei muitas expectativas sobre a leitura, as quais contribuíram para o tamanho da minha frustração.

O início é empolgante e, apesar de trazer cortes de cena entre os capítulos, os quais têm frequência esquecida no resto da obra, a premissa da narrativa prende o leitor. Com o passar das páginas, os acontecimentos vão se tornando comuns, previsíveis. Nenhum fato surpreende o leitor, …

Devanear-me-ei, Victor Wallace | Poema

Devanear-me-ei
Eu pensava, Pensava todos os dias. Todas as horas dos dias. Todos os minutos das horas dos dias. Todos os segundos dos minutos das horas dos dias: Como conseguiria?
Como eu, só naquele espaço, Naquele pequeno espaço, Espaço com poucas oportunidades, Conseguiria aprender? Como conseguiria?
Entre um traço e outro eu enxergava. E pensava sobre o que enxergava. O que todos haviam aprendido? Injustiça natural, Natural injustiça. Uns praticavam e eu só podia imaginar.
Só podia devanear-me da sensação: Meu esqueleto poroso e leve, Minha gordura, Minha pele, Minhas penas, Batendo como o coração e acalorando minha imaginação.
Eu me perguntava: Como conseguiria? Sentia necessidade de estar preparado. E se a oportunidade surgisse, Como conseguiria?
Um dia surgiu. Tanto pensei, Tanto mentalizei, Tanto sonhei. O espaço surgiu,

A revolta da sucata, Laura Bergallo | Resenha

Nota:8/10
A revolta da sucata é uma das obras que eu recebi há alguns anos dos próprios autores para resenhar no meu antigo blog, o qual acabai abandonando.  A escritora fluminense, Laura Bergallo, premiada em 3° lugar na categoria juvenil do Prêmio Jabuti de 2007 com a obra Alice no espelho, escreveu o esse livro que foi publicado na coleção Ecoar, pela editora Garamond.
O texto inicia-se com uma frase do economista Tim Jackson sobre o consumo na contemporaneidade, frase que jácontextualiza o leitor no conceito daobra:
“Estamos sendo persuadidos a gastar o dinheiro que não temos, com coisas que não precisamos, para criar impressões que não duram, em pessoas com as quais não nos importamos.”
A estória contada se passa em abril de 2020 (por coincidência, período em que eu reli a obra) e tem o enredo voltado sobre a revolta de aparelhos e sistemas tecnológicos vítimas do desenfreado descarte provocado pelo consumismo contemporâneo.
Apesar de ser um livro infanto-juvenil bem escrito, o enredo…

A mulher que escreveu a Bíblia, Moacyr Scliar | Resenha

Nota: 8/10 M oacyr Scliar, autor de contos, romances e ensaios literários (resenhas de outros livros do autor) escreveu “A mulher que escreveu a bíblia” a partir da hipótese publicada no livro “The book of J”, do professor e crítico literário estadunidense Harold Bloom:
“Em Jerusalém, há quase três mil anos, alguém escreveu um trabalho que, desde então, tem formado a consciência espiritual de boa parte do nosso mundo [...].  Não era um escriba profissional, mas antes uma pessoa altamente sofisticado, culta e irônica, destacada figura da elite do rei Salomão[...]; uma mulher, que escreveu para seus contemporâneos como mulher.”