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O novo velho clássico infinito | Poema

O novo velho clássico infinito

O óbvio é tão absurdo que dói.
Dói em ser visto, escutado, tocado.
É igual e inconscientemente imaginam.
Faltam forças para denunciar.

Desconforta o espinho rasgando a pele,
Mesmo que rapidamente,
Agonia.
Mas não torna cotidiano.

É inacreditável.
Tamanha falta de...
“Não sei definir, mas quando ver, sei identificar”.

O padrão do clássico hierárquico domina,
A ordem reprodutivamente passada.
Segue o compasso da melodia do sei lá quem criou.
O resto é só a ilusão de viver o novo velho clássico,
Repetidas vezes,
Infinitamente.

No vai e vem.
- Victor Wallace.

Este poema e imagem são autorais, cópias ou publicações sem referência são consideradas ilegais. Publicação: 02/07/2020


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Frankenstein ou o Prometeu moderno, Mary Shelley | Resenha

Nota: 10/10 Frankenstein é resultado de um conjunto composto pela intelectual e sentimentalmente defasada educação paterna oferecida à Mary Shelley, devaneios noturnos, conversas sobre a criação da vida e uma crítica impositora à Percy Shelley, marido da autora. Diante desses fatores, surge, durante um verão recluso pelas péssimas condições climáticas na Suíça, a obra que revolucionou a literatura mundial e que coleciona admiradores 200 anos após sua primeira publicação.
O exemplar da coleção de Clássicos da Penguin Companhia, 417 páginas, inicia-se com um texto que apresenta um estudo detalhado feito pelo inglês Maurice Hindle, Ph.D. em literatura pela University of Essex, com uma biografia sobre a autora, apresentando as perspectivas que fizeram Mary escrever a obra, a influência e as interferências do marido da autora e as partes que sofreram alterações durante as republicações. Nesse estudo, o leitor também é apresentado aos pensamentos de filósofos, de cientistas e de outros intele…

Criado mudo, Victor Wallace | Poema.

Criado-mudo 
Era pra ser apagado. Era de cor forte, Não dava. Aparecia na tela branca.
Com o rosto de lado, Nunca pra frente. Nunca autônomo, Sempre submisso.
Ele estava ali, Ocupando o lugar. Lugar de objeto, De criado-mudo.
Foi retratado. Tentaram denegrir. Falharam, Já era negro.
Hoje ele fala, Fala em qualquer língua. Fall your prejudice. Retrata.
Morre, Porque era pra ser apagado, Mas a cor é forte, Não dá, Destaca na vida branca.
Ofusca, o talento

Triste fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto | Resenha

Nota: 9/10 Como já é possível ler pelo título, Quaresma não tem um fim feliz, e, certamente, essa obra não narra a felicidade de um brasileiro. É perante o recorte espaço-temporal da cidade do Rio de Janeiro do fim do século XIX, durante a República da Espada (1889-1894), ao abrigo do crescimento do capitalismo e da perpetuação da oligarquia rural, que o texto narra os infortúnios da vida de Major Quaresma, um metódico funcionário público, intelectual e patriota exacerbado.
Importante no movimento pré-modernista – sendo considerado “pré” por ainda não ter os ideais bem definidos e agressivos como os após 1922, com o movimento em si -, o qual utilizou, nas artes em geral, o regionalismo e o nacionalismo, o livro apresenta os pensamentos e as ideologias que se instauravam nos pensamentos sociais da mudança de séculos (XIX-XX) no Brasil. “Triste fim de Policarpo Quaresma” destaca marcas, as quais, atualmente, encontram-se difusas e, muitas vezes, representantes da alienação e/ou da ignorân…

Parecer-me-ei, Victor Wallace | Poema

 Parecer-me-ei
Passa,
Desaparece, Modifica, Some, O tempo.

Passa, Desaparece, Modifica, Some, A matéria.

Não passa, Não desaparece, Não modifica, Não some, O conceito.

Ela era fechada. Não a identificavam. Será que desabrocharia? Todos se questionavam.

O que te prendes? Perguntavam. Tens alergia, Medo, Pavor, De inseto?

Mas ela se privava do contato, Não respondia. Privava-se da humilhação,

O livro de almas, Igor Quadros | Resenha.

Nota 5/10 Antes de compartilhar minha opinião sobre o livro gostaria de lembrar que cada leitor tem uma experiência ao ler determinada obra e que, o que é muito bom para um pode ser ruim para outro. Mas afinal, o que seria da literatura se não fossem os leitores com opiniões diferentes sobre um mesmo texto?

Ao ver a capa, o título e a sinopse do livro me encantei. Procurei saber sobre o autor nortenho, Igor Quadros, e recebi um exemplar do livro, que foi publicado pela editora Novo Século com o selo de Novos Talentos da Literatura Brasileira, para resenhar em meu antigo blog que foi desativado há alguns anos. Criei muitas expectativas sobre a leitura, as quais contribuíram para o tamanho da minha frustração.

O início é empolgante e, apesar de trazer cortes de cena entre os capítulos, os quais têm frequência esquecida no resto da obra, a premissa da narrativa prende o leitor. Com o passar das páginas, os acontecimentos vão se tornando comuns, previsíveis. Nenhum fato surpreende o leitor, …

Devanear-me-ei, Victor Wallace | Poema

Devanear-me-ei
Eu pensava, Pensava todos os dias. Todas as horas dos dias. Todos os minutos das horas dos dias. Todos os segundos dos minutos das horas dos dias: Como conseguiria?
Como eu, só naquele espaço, Naquele pequeno espaço, Espaço com poucas oportunidades, Conseguiria aprender? Como conseguiria?
Entre um traço e outro eu enxergava. E pensava sobre o que enxergava. O que todos haviam aprendido? Injustiça natural, Natural injustiça. Uns praticavam e eu só podia imaginar.
Só podia devanear-me da sensação: Meu esqueleto poroso e leve, Minha gordura, Minha pele, Minhas penas, Batendo como o coração e acalorando minha imaginação.
Eu me perguntava: Como conseguiria? Sentia necessidade de estar preparado. E se a oportunidade surgisse, Como conseguiria?
Um dia surgiu. Tanto pensei, Tanto mentalizei, Tanto sonhei. O espaço surgiu,